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O que é EMDR? Entenda como essa abordagem pode ajudar nos relacionamentos e nas dificuldades emocionais

28 de jul.
3 min de leitura

Atualizado: 27 de ago.


Algumas experiências terminam.


Outras continuam presentes, mesmo depois de muito tempo.


Às vezes, você entende racionalmente o que aconteceu, mas determinadas situações ainda despertam medo, ansiedade, culpa, tristeza ou reações que parecem maiores do que deveriam.


São os chamados gatilhos emocionais.


Isso pode acontecer quando uma experiência do passado continua emocionalmente ativa e passa a influenciar a forma como você se sente, se percebe e se relaciona.


É nesse contexto que o EMDR integrado à Gestalt-terapia pode fazer sentido.


EMDR e Gestalt-terapia


Na minha prática clínica, as duas abordagens podem ser integradas de acordo com a história e as necessidades de cada paciente.


A Gestalt-terapia se volta para o agora e ajuda a ampliar a consciência sobre emoções, necessidades, limites, padrões de relacionamento e formas de se posicionar diante da vida.


O EMDR auxilia no processamento de experiências do passado que continuam repercutindo emocionalmente no presente.


Enquanto a Gestalt-terapia ajuda a compreender o que está acontecendo hoje, o EMDR trabalha experiências passadas que ainda influenciam a maneira como você sente e reage agora.


Essa integração permite olhar para a pessoa de forma ampla, respeitando sua história, seu ritmo e seu momento de vida.


O que significa EMDR?


EMDR é a sigla para Eye Movement Desensitization and Reprocessing, que significa Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares.


É uma abordagem psicoterapêutica estruturada, utilizada no trabalho com traumas e diferentes dificuldades emocionais.


Como o EMDR funciona?


Uma experiência difícil pode ter terminado, mas ainda continuar provocando sofrimento.


Uma lembrança, uma conversa, uma situação no relacionamento ou determinada sensação pode despertar emoções intensas, e você pode ficar confusa e não compreender o porque dessa intensidade emocional, já que isso pode ocorrer em situações que entendidas como pequenas.


No EMDR, essas experiências são trabalhadas de forma cuidadosa e estruturada, utilizando a estimulação bilateral, que pode acontecer por meio de movimentos oculares, sons alternados ou estímulos táteis.


O objetivo não é apagar lembranças nem mudar a sua história.


É trabalhar a forma como determinadas experiências continuam repercutindo emocionalmente no presente.


Como isso pode influenciar seus relacionamentos?


Nossa história também participa da maneira como nos percebemos e nos relacionamos.


Experiências marcantes podem estar relacionadas a pensamentos como:


“Não sou boa o suficiente.”


“Não tenho valor.”


“A culpa é minha.”


“Vou acabar sendo abandonada.”


“Estou sozinha.”


“Não sou capaz.”


“Não posso confiar nas pessoas.”


Essas experiências podem aparecer hoje como medo de perder alguém, necessidade constante de aprovação, dificuldade para colocar limites, insegurança ou repetição de padrões nos relacionamentos.


A integração entre Gestalt-terapia e EMDR permite olhar para essas questões tanto a partir do que acontece no presente quanto das experiências que continuam produzindo impacto emocional.


O processo pode favorecer uma compreensão mais profunda da própria história e abrir novas possibilidades para se perceber e se relacionar.


Para quem o EMDR e a Gestalt-terapia podem fazer sentido?


O processo terapêutico pode ser considerado para pessoas que vivenciam questões como:


* Traumas e experiências emocionalmente marcantes

* Ansiedade e insegurança

* Dificuldades nos relacionamentos

* Dependência emocional

* Baixa autoestima

* Luto

* Experiências de rejeição ou abandono

* Fobias

* Dificuldade para estabelecer limites

* Repetição de padrões nos relacionamentos

* Experiências difíceis da infância


A indicação das abordagens é sempre individualizada, considerando a história e as necessidades de cada pessoa.


O EMDR é hipnose?


Não.


Durante a sessão, você permanece consciente e participa ativamente do processo.


A estimulação bilateral faz parte do trabalho terapêutico e não significa perda de controle ou inconsciência.


O processo acontece de forma cuidadosa, respeitando seus limites e seu ritmo.


O passado faz parte da sua história. Mas ele não precisa continuar definindo o seu presente.


Talvez você já tenha entendido racionalmente muitas coisas sobre aquilo que viveu.


Mesmo assim, algumas experiências continuam despertando emoções e reações difíceis de compreender.


A psicoterapia pode oferecer um espaço para olhar para essa história com mais profundidade e trabalhar aquilo que ainda produz sofrimento no presente.


Na integração entre Gestalt-terapia e EMDR, diferentes recursos podem ser utilizados de acordo com aquilo que fizer sentido para você.


Porque compreender sua história também pode ser um caminho para viver o presente com mais consciência, segurança e liberdade emocional.


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Valtência Barreto | Psicóloga Clínica
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