Por que é tão difícil colocar limites?

Você sabe quando alguma coisa ultrapassa o seu limite.
Sabe que está cansada.
Sabe que não queria aceitar aquele pedido.
Sabe que determinada atitude incomodou.
Mesmo assim, você diz:
“Tudo bem.”
“Pode deixar.”
“Eu faço.”
“Não tem problema.”
Só que tinha problema.
E você sabia.
Talvez dizer não assuste mais do que ultrapassar seus próprios limites
Para algumas pessoas, colocar limites desperta uma sensação muito difícil.
Culpa.
Medo de decepcionar.
Medo de parecer egoísta.
Medo de provocar uma briga.
Medo de perder alguém.
Então você prefere suportar o desconforto de fazer algo que não queria a enfrentar o desconforto de desagradar.
Só que esse preço vai ficando alto.
Você acumula cansaço.
Irritação.
Ressentimento.
E começa a sentir que ninguém reconhece tudo aquilo que você faz.
Mas será que as pessoas sabem o que você precisa?
Às vezes, você espera que o outro perceba.
Que ele entenda que você está cansada.
Que saiba que aquilo passou do limite.
Que reconheça que você já fez demais.
Só que, quando você não consegue mostrar o que sente, pode acabar esperando que o outro adivinhe.
E quando isso não acontece, a frustração cresce.
Talvez colocar limites comece antes do “não”.
Comece quando você consegue reconhecer:
“Eu não quero.”
“Isso não está bom para mim.”
“Eu preciso de outra coisa.”
Você pode estar tentando não ser abandonada enquanto abandona a si mesma
Essa talvez seja uma das partes mais difíceis de perceber.
Você abre mão de uma necessidade para preservar uma relação.
Engole uma opinião.
Evita uma conversa.
Aceita uma situação.
Finge que não se incomodou.
Tudo para que o outro não se afaste.
Mas, pouco a pouco, você vai ficando distante de si.
E pode chegar um momento em que já não sabe mais o que realmente quer.
Sabe apenas o que precisa fazer para manter as pessoas por perto.
Isso não acontece porque você é fraca.
Provavelmente existe uma história por trás desse funcionamento.
Talvez você tenha aprendido muito cedo que agradar era mais seguro.
Que expressar necessidades provocava conflito.
Que dizer não fazia as pessoas se afastarem.
Compreender essa história pode ser o primeiro passo para construir uma maneira diferente de se relacionar.
Você não precisa se tornar uma pessoa fria ou indiferente.
Pode continuar sendo sensível, cuidadosa e afetuosa.
Mas sem precisar desaparecer para que o outro fique.
Se você vive dizendo “sim” enquanto por dentro gostaria de dizer “não”, talvez seja hora de olhar para o que está por trás dessa dificuldade.
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